Sindicatos filiados à FINDECT reforçam a defesa dos Correios públicos e cobram participação dos trabalhadores na reconstrução da empresa
Publicada dia 15/01/2026 16:43
Os sindicatos SINTECT-SP, SINTECT-RJ, SINTECT-MA, SINTECT-SANTOS e SINDECTEB (Bauru e Região), por meio da FINDECT, protocolaram no dia 15 de janeiro de 2026 um ofício oficial à Presidência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), reafirmando que a superação da crise dos Correios passa, obrigatoriamente, pela participação ativa dos trabalhadores e de suas entidades sindicais representativas.

O documento apresenta um diagnóstico objetivo da situação da empresa e destaca que os problemas financeiros enfrentados pela estatal não foram causados pelos trabalhadores, mas sim por decisões políticas e administrativas que reduziram receitas estratégicas e mantiveram sobre os Correios todo o custo da universalização do serviço postal.
Nesse sentido, a FINDECT faz uma crítica direta à condução da gestão anterior, lembrando que alertou por diversas vezes, de forma oficial, sobre o agravamento da situação financeira e operacional da empresa. Ao longo dos últimos anos, a Federação encaminhou ofícios com diagnósticos, alertas e propostas concretas para evitar o colapso financeiro dos Correios, mas grande parte dessas manifestações foi ignorada, contribuindo para o aprofundamento da crise atual.
Entre os principais pontos levantados no ofício está o impacto da Portaria do Ministério da Fazenda nº 1.086/2024, que permitiu que grandes plataformas internacionais passassem a operar sua própria logística no Brasil. Segundo dados apresentados pela FINDECT, essa medida já provocou um prejuízo superior a R$ 2,1 bilhões aos Correios até abril de 2025, ao retirar da empresa pública uma de suas principais fontes de receita, enquanto a estatal segue responsável por atender todos os municípios do país.
O documento também ressalta que essa distorção já foi apontada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que alerta para a inexistência de mecanismos de compensação pelos custos da universalização do serviço postal, atualmente bancados quase integralmente pelos Correios.
Principais pontos e propostas apresentados no ofício
No ofício encaminhado à Presidência da ECT, a FINDECT e os sindicatos filiados elencam propostas e reivindicações centrais para enfrentar a crise e reconstruir os Correios, entre elas:
• Participação imediata e paritária dos trabalhadores em todos os grupos de trabalho de reestruturação da ECT e nos espaços de decisão estratégica da empresa;
• Criação de um Comitê de Crise Interministerial, envolvendo Casa Civil, Ministério das Comunicações, Fazenda, Ministério da Gestão e representantes dos trabalhadores, para construir uma solução de Estado para os Correios;
• Instituição de uma CIDE-Postal, com base no artigo 149 da Constituição Federal, para que grandes operadores privados e marketplaces contribuam para o financiamento do serviço postal universal;
• Devolução dos dividendos pagos à União entre 2011 e 2013, no valor aproximado de R$ 2,9 bilhões, como medida emergencial para recompor o capital de giro da empresa;
• Revogação da Portaria MF nº 1.086/2024 e apoio a projetos que ampliem a isenção tributária para recuperar o volume de encomendas internacionais;
• Convocação imediata dos aprovados em concurso público, condicionando novos desligamentos à efetiva reposição da força de trabalho;
• Reabertura da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP) para discutir o novo PCCS, corrigir distorções salariais e garantir transparência na estrutura de cargos;
• Transparência total nos contratos, patrocínios e nos relatórios das consultorias contratadas, como McKinsey e Huawei, especialmente diante de negociações de financiamentos internacionais.
O ofício também critica medidas autoritárias adotadas internamente, como a suspensão unilateral de férias e decisões tomadas sem diálogo com os trabalhadores, que ampliam o adoecimento, aumentam a judicialização e não contribuem para a recuperação da empresa.
Para o SINTECT-SP, SINTECT-RJ, SINTECT-MA, SINTECT-SANTOS e o SINDECTEB, reconstruir os Correios é uma tarefa coletiva e estratégica para o país. Os trabalhadores, que mantêm a empresa funcionando todos os dias, precisam estar no centro das decisões sobre o futuro da estatal, com diálogo, transparência e respeito.
O ofício completo está disponível ao final desta matéria, para leitura integral das trabalhadoras e trabalhadores e acompanhamento da atuação dos sindicatos na defesa dos Correios públicos, fortes e a serviço do povo brasileiro.
Ofício Nº SGD 645-2026 – Sustentabilidade, Governança e Reestruturação Democrática dos Correios
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